Eu realmente não entendo.
Tô sossegada, tô tranquila, tô na minha e começa de novo.
Estava me acostumando a ser sozinha e me sentindo até vazia. Porque a medida que aceitamos essa condição fica difícil aceitar certas verdades, então passei a desconsiderar toda e qualquer possibilidade de ter alguém perto, bem perto.
Mas a condição de estar só não é tão simples, nem tão confortável.
Mas, também não precisava ser assim.
Eu sempre preferi os esportes radicais, porque já treinava sabendo que podia cair, e eu já tinha esquecido como se anda até de bicicleta, e agora me aparece um monociclo.
Parece uma bicicleta, mas tem uma roda só. E irônicamente se consegue o equilíbrio ora pedalando pra frente ora pra trás. O equilíbrio que vem da indecisão de não saber pra onde ir.
Então quando consigo fazer com que ande 5 metros, preciso pedalar pra tras pra não cair.
O único jeito de ir só pra frente é correndo… Mas o lema é tempo! Sem correrias, portanto.
O monociclo tem uma roda só porque perdeu a outra, que o equilibrava e que hoje vive de encantos por uma carroça. E o monociclo sozinho, buscou aconchego pras suas angústias em minha mania de esportes. Mas eu não consigo entender de monociclo!!
Eu sou sozinha tentando me equilibrar sobre meus próprios pés surfando, manobrando um skate… mas o monociclo, o monociclo… esse… esse… parece comigo na solidão e na incapacidade de andar sozinho. Porque a prancha, se você largar na beira do mar, a onda leva, o skate e o patinete vão embora na ladeira. Mas o monociclo precisa de alguém pra pedalar, pra motivá-lo a andar. Somos parecidos. Nas dores, nas angústias, nos sonhos, nos anseios, na vontade de encontrar equilíbrio sendo impulsionado e guiando alguém.
O monociclo é diferente!!!!!!!!!
Mas pra mim, é tão radical quanto os outros. Porque se por um lado não anda sozinho, seu pneu de borracha fura. E assim, nem que tente eu consigo sair do lugar. Trocar seu pneu? Sem chance! Exemplares como este, ou você aproveita tudo exatamente como está, e faz cada pedalada valer a pena; ou desiste, porque de tamanha raridade não se pode tirar nada.
Por hora vou deixar o monociclo aqui, escorado nessa paredinha.
E eu daqui, desta cadeira, vou tentando entender o que até agora não consegui: Por quê??
Eu gostaria muito que esse sentimento de coração farto, fosse por uma bicicleta, porque aí eu saberia como andar.
Mas, um monociclo…